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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Anos 80, eis que surgem os filhos da revolução.






A década de 80 foi a era de ouro do Rock Nacional, com o aparecimento de dezenas de bandas que dominaram a cena musical no Brasil. Bandas com perfil rebelde sacudiram o país de norte a sul, rompendo de vez com as amarras do sistema impostas aos filhos da Revolução, palavras raivosas foram ditas numa voracidade crua, sem filosofias ou compromissos, e por isso mesmo traduziam um real sentimento, escancarar a realidade. Um notável mar de verdades certeiras influenciou os jovens que passaram a compor e a cantar em seu próprio idioma o ritmo que mais curtiam o Rock and Roll, trazendo de volta ao topo das paradas nacionais, a língua Portuguesa. 

Chamado de BRock, um apelido dado por Nelson Motta teve influências variadas, indo do New Wave, passando pelo Punk e o próprio conteúdo Pop emergente do final da década de 70. Ainda assim, em alguns casos, tomou por referência ritmos como o Reggae e a Soul Music. Suas letras falam na maioria das vezes sobre amores perdidos ou bem sucedidos, não deixando de abordar é claro algumas temáticas sociais. O grande diferencial das bandas deste período era a capacidade de falar sobre estes assuntos sem deixar a música tomar um peso emocional ou político exagerado. Fora a capacidade que seus integrantes tinham de falar a respeito de quase tudo com um tom de ironia, outra característica marcante do movimento. Outra particularidade típica foi o visual próprio da época; cabelos armados ou bastante curtos para as meninas, gel, roupas coloridas e extravagantes para os meninos e a unissexualidade de tudo isso, herança direta do Glam Rock de Marc Bolan, David Bowie e seus discípulos, como o Kiss e The Cure. 

As bandas nacionais eram ousadas, contestadoras e geograficamente dispersas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília apareciam bandas no início dos anos 80, e isso acontecia quase que simultaneamente. Em Brasília surgiu o Aborto Elétrico que se desfez e deu origem a Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. O Rio de Janeiro revelou Os Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens, Gang 90 e as Absurdettes, Barão Vermelho, dentre outras. São Paulo também teve uma infinidade de bandas influentes na cena nacional como Ultraje a Rigor, RPM, Titãs e Ira!. No Rio Grande do Sul surgiram os Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós, TNT, Taranatiriça, Cascavelletes, Os Replicantes, Garotos da Rua, De Falla. O Nordeste também contribuiu com a banda baiana Camisa de Vênus liderada por Marcelo Nova e com forte influencia de Raul Seixas. 

Varias outras bandas de expressão surgiram nessa época como Sempre Livre, Biquíni Cavadão, Hanói Hanói, Hojerizah, Harmony Cats, Lobão e os Ronaldos, Metrô, Magazine, Grafitti, Tókio, Heróis da Resistência, Ed Motta & Conexção Japeri, além de cantores (as) como Marina Lima, Léo Jaime, Ritchie, Kid Vinil, Fausto Fawcett, entre outros. 

O BRock tem retornado ao cenário musical atual através de algumas bandas que voltaram a ativa e diversas coletâneas, regravações e versões feitas em formato acústico, apesar de toda concorrência desleal do mercado teen, as bandas Oitentistas tem seu lugar garantido e fazem cada vez mais adeptos, de todas as faixas etárias por todo o país. Cabe a nós a missão de transmitir as novas gerações todo esse acervo musical que marcou a vida de muitos jovens com o estimulo cultural e social, alertando e divertindo com irreverência e inteligência. 

Salve o Rock Nacional.


Nascimento e Amadurecimento: Três décadas de Rock (1950 -1979)



A história do Rock brasileiro começa nos anos 50 com gravações de trilhas sonoras para a versão brasileira de filmes. Em 1957, foi gravado o primeiro rock original em português, "Rock and Roll em Copacabana”, escrito por Miguel Gustavo (futuro autor de "Para frente Brasil") e gravada por Cauby Peixoto. Entre 1957 e 1958, diversos artistas gravaram versões de músicas americanas, mas embora em 1957 o grupo Betinho & Seu Conjunto, de "Enrolando o Rock" tenha alcançado grande destaque, os primeiros ídolos do rock nacional foram os irmãos Tony e Celly Campelo que venderam 38 mil cópias. Tony gravaria mais dois singles até seu álbum em 1959, e Celly estourou em 1959 com "Estúpido Cupido" (120 mil cópias vendidas). 

Nos anos 60 surge a jovem guarda revelando grandes nomes da música brasileira como Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléia, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Jerry Adriani, Eduardo Araújo e Ronnie Von, que tinham seu som inspirado nos Beatles (o gênero apelidado "iê-iê-iê") e no rock primitivo. Esse ritmo difundiu-se e tornou-se nacionalmente popular através de versões para o português de sucessos estrangeiros muito apreciados pelos jovens da época. 

Então, surgiria a Tropicália. Em 1966, Os Mutantes: Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, com seu deboche e som inovador. Em 1967, a dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil. O rock torna-se um poderoso elemento na cultura de massa sacudindo comportamentos sociais que fazia uma antropofagia cultural, absorvendo elementos externos e combinando com a nossa cultura, universalizando assim o conceito de arte. Foi um expoente de resistência à forte repressão dos direitos civis da época, abalados pela Ditadura Militar, sobrevivendo sufocado por uma ira contida. 

Na década de 70 muitos artistas foram exilados do país. E foi com a liberdade de expressão sufocada que surge o ícone: Raul Seixas, que vendera 600.000 compactos de "Ouro de Tolo" em poucos dias e se tornaria "bardo dos hippies" com músicas debochadas como "Mosca na Sopa" e “Maluco Beleza", esotéricas como "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás" e "Gita", e as motivacionais “Metamorfose Ambulante" (que compunha aos 14 anos) e "Tente Outra Vez". Raulzito, como é chamado pelos fãs ainda hoje é uma lenda do rock nacional, cultuado por diversas gerações. 

Movimentos surgiram em outros locais do Brasil: em Minas Gerais, o "Beatlesco" Clube da Esquina, liderado por Milton Nascimento e Lô Borges; e no Nordeste, a "nova onda" dos Novos Baianos, além da chamada "Invasão Nordestina": artistas que misturaram o sertanejo ao rock, como Fagner, Zé Ramalho e Belchior.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Boas Vindas do Autor!!!





Um grupo de velhos amigos que dividem uma paixão em comum, resolveu encontrar meios de compartilhar suas experiências e mostrar aos mais novos como uma geração inteira formou sua cultura, intelecto e formas de expressão por meio da influência de músicas, por muitos consideradas subversivas e anarquistas que compõem o Rock Brasileiro.
Então eis que surge o V.O.R.B.(Vanguarda Oitentista do Rock Brasileiro), com o intuito de mostrar as novas gerações e relembrar as antigas, álbuns, vídeos, matérias, curiosidades, dentre outras coisas, sobre as bandas que mudaram toda uma época e moldaram a cara de um país. 
A essência do Rock Nacional há muito vem sendo esquecida, queremos mostrar aos caros leitores, longos anos de talento, atitude e criatividade de bandas que até os dias de hoje continuam sendo referência, e músicas que apesar de serem compostas em outros tempos continuam com o sentido totalmente atual. Citando as palavras de Bruno Gouveia, vocalista  do Biquini Cavadão, música se faz com a alma, música se faz com o coração, música não se faz com a b...de qualquer jeito.

Salve o Rock Nacional!!!

Os colaboradores desse projeto: 

Bruno Rafael, Bruno Camã, Fabiano Souza, Frank Tenasol e Priscilla Torres.